![]() |
| Amigos de todos os tempos! |
Isso aqui tá parecendo salada de frutas, eu sei, mas a questão não é essa, antes que alguém me acuse de louca e venha me explicar que eu ainda posso encontrar esses sabores no mercado ali do lado. O que eu sinto, e sinto muito, é que de fato, a gente se acostuma a não sentir mais os gostos. Trocamos a banana por qualquer frutinha sem graça. Evita acerola pra não ter enxaqueca, no meio de outras inúmes negociações infelizes. E o que começou na cozinha, foi se alastrando pela minha vida, até que eu me acostumei a não dar mais boa noite pros meus pais antes de ir dormir, a desistir antes de lutar, a não ter paixão nos relacionamentos, a aguentar desaforos de amigos,a ter o estilo de vida meia-boca mesmo tendo potencial pra ter algo melhor, com o trânsito caótico. Eu jurei, aos 15 anos, que nunca me moldaria, mas hoje eu me acostumei a votar no político menos corrupto, com o gosto do alcool, com o fast-food, com o salto alto, com o dar e não receber. Me acostumei a ter iniciativa quando a real vontade é não precisar fazer nada, a levar sempre a culpa para evitar discussão, a engolir o choro porque eu já cresci. Me acostumei com os dias passando cada vez mais rápido e com a idade chegando.
Então, quando o fim da linha chegou, eu me toquei que estava funcionando em modo automático há muito tempo. Aceitando, naturalizando, engolindo os caroços. Tapando o sol com a peneira. Eu não precisei ir para a cama de um hospital ou ter dias contadinhos. Eu simplesmente me vi correndo às cegas, prendendo-me à coisas e situações desagradáveis por comodismo, por convenção. Vi a minha vida passando e nem passei a mão na bunda dela. Não aproveitei o que, de fato, devia e me dava prazer. Fui simplesmente consentindo.
Eu também pensava que esse quadro não podia mudar, que era um utopia. Mas passei a resgatar os sabores velhos. Eu realmente havia esquecido como era ser a prioridade de alguém, de como era relacionamento familiar, de como meus amigos deveriam fazer parte da minha vida. Comprei um biquini novo e mergulhei no mar como se aquele fosse meu último mergulho. Comprei um picolé e chupei até sentir o gosto da madeira do palito. Fui vivendo desse jeitinho. Vou vivendo desse jeitinho E eu vou viver tudo o que eu posso ainda, intensamente. E eu só vou concordar com aquilo que me convém. E no momento atual, eu já não concordo mais com o tempo perdido e lamentação. Eu vou escrever a melhor história!

Nenhum comentário:
Postar um comentário