terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Quando tinha sete anos, me imaginava jornalista aos 22 anos. Fazia da mesa minha bancada. Dava noticias dos ursinhos carinhosos, do castelo rá tim bum.. E, ah, eu tinha até assistente: uma boneca. Ela era péssima e por isso a gente brigava muito.

A segunda opção seria virar cozinheira. Andava com um livro de receias na mão pra cima e pra baixo, sempre alugando a minha avó e a quem deixasse. Com a ajuda de minha avó, pegava as receitas de bolos do meu caderninho de culinária e os fazia divinamente.

Aos 22, eu já teria filhos. Estaria casada com um Benjamim. Qualquer Benjamim. O importante é que fosse "Bem", apelido que eu julgava sensacional.

Aos 22, eu limparia a sujeira e lavaria louça com capricho. Acordaria as crianças com um beijo e as prepararia para a escola.

Aos 22, eu me tornaria uma mulher praticamente velha. Meus pais cumpririam papel de avós dedicados, numa casa branca de dois andares com um jardim imenso na serra, em que passaríamos o domingo comendo bolinhos e tomando cerveja com a família.

Cheguei aos 22 anos em 2013. Não sou cozinheira e muito menos jornalista. Não casei, não tenho filhos. 
Sou filha. Sou amiga. Sou louca. E também sou muitas outras coisas que não têm título.

Diante da vertigem e do abismo entre o que eu esperava aos sete e o que de fato aconteceu, percebo que a frustração é superestimada. Complicado é definir como as coisas deveriam ser e, ao mesmo tempo, me achar capaz dessas suposições.

O fato é que sei muito pouco do que me faz feliz de verdade. Descubro apenas depois que acontece. Sou muito lenta. Infelizmente.

E por mais absurdo que seja o raciocínio, eu fiz isso o tempo inteiro: previa como deveria ser o meu casamento, como os meus filhos deveriam se comportar, como o meu corpo iria estar. E veja só, isso acabou sendo justamente a gênese da minha frustração.

Confundi sonho com obsessão. Acreditei que felicidade consistia em seguir sempre com algo que desejei lá atrás e, quando precisei alterar o caminho, me frustrei por ser incoerente com o que eu queria aos sete anos.

Aí chega 2013 e logo em março já arrebata o título de um dos piores anos da minha vida. Mas, pra minha surpresa, ele vai me ensinando a maior lição que aprendi em toda minha vidinha planejada, perfeita e patética: Coerência é aceitar a transformação, não se fixar em credos.

2013 está indo embora e não vejo mais motivos para lamentar. Não posso apagar a infância. Fui realmente jornalista e cozinheira aos sete anos. 

E para quê eu vou querer outra vida se posso toda hora mudar a minha?

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013


"Preste atenção, não abra mão dos próprios sonhos, não tem perdão. Não deixe de sonhar, não deixe de sorrir, pois não vai encontrar quem vá sorrir por ti..."


Como boa sonhadora que sou, a estrada é o meu plano preferido e andar por ela tem sido um hobby por muito, muito tempo. A obrigação do sonho do além passou. Desfruto de bons momentos só meus, de boas histórias e bons risos em parceria. Mas sonhar tem me custado um tanto de lutas pra não acordar. Impossível.
Tenho pensado aqui comigo no tamanho do meu mundo!Eu sempre fui do tipo de amar loucamente, de viver loucamente, de sorrir loucamente... Aos 22 anos percebo que assim que devo permanecer. O loucamente ainda vai me acompanhar, por mais que a maturidade tenha me ensinado que um pouco de dosagem nunca matou ninguém! A realidade é bem vinda, nos bons e maus momentos!


É necessário deixar de sorrir quando se sente que é das lágrimas que aquele momento precisa. Fingir alegria é para os fracos. Aceitar nossas derrotas, medos, e dúvidas é o primeiro grande passo da vida adulta.


Aceitar, compartilhar, arrepender, conhecer... o tempo nos revela lições um tanto contraditórias. Não faz mal. Essa é a graça da vida. A gente espera alguém ir embora pra sentir saudades, espera esquentar pra querer o frio, esfriar pra pedir pelo calor...confiamos em quem não merecia, quebramos a cara, colamos cada pequeno caco com super-bonder e lá vamos nós mais uma vez, dando a cara á tapa, colocando o peito no pelotão de frente dessa guerra diária, dessa luta por mais felicidade, mais realização, mais serenidade...mais sinceridade!
Hoje eu vejo que amigos realmente são poucos, muitos passam, mais são realmente poucos os que chegam, conhecem nossos medos e fraquezas, e ficam! Os verdadeiros realmente te dão colo, de perto, de longe, integralmente!
Sinceridade não é algo que se aprende, é algo que se expõe, que muitas vezes corta, mas provoca apenas feridas cicatrizáveis.

O coração é só um órgão que bate descompassado quando o cérebro faz as pernas bambearem. É um pedacinho bobo da gente, que se perde, que confunde, que bate, e bate, e tem dias que só gostaríamos que ele não batesse descompassado, a gente querendo, gostando, aceitando ou não o motivo das batidas.

Sentimentos são relíquias, que devem ser guardadas a 7 chaves, e somente distribuídos a quem realmente os merece. Risos não. São o cúmulo da verdade. Sabe-se perfeitamente quando são reais. E eu já os vejo assim!
Saudade é o que não se explica. É o que ficou daquilo que não volta, é o que se tem daquilo que se quer. Como sonhar faz parte de mim, a saudade é meu leme, e sempre vai ser o que me guia. É mais verdadeiro que qualquer dos ditos "sentimentos", transborda, ultrapassa...é olhar pra traz e ver todo crescimento, ver a estrada trilhada com passos próprios, é lembrar do cansaço das subidas, da dor nos joelhos que apoiaram o chão durante as quedas, lembrar que muitas vezes as lágrimas impediram de ver perfeitamente o horizonte, assim como muitas vezes o sorriso tornou a caminhada mais amena. 
Talvez não tenha chego exatamente no caminho traçado, mas é o que eu sempre digo, e daí? A vida nos leva a bifurcações que nos definem como seres humanos, nos marcam, nos cortam, e sangra e cicatriza e vira filme em preto e branco com cheiro de pó em dia de chuva. E a gente sente saudade, e a gente sente dúvida, e tenta imaginar o que faria diferente, sem perceber que nossas escolhas nos definiram, nos talharam, tenham sido elas corretas ou não.

O prazer de ser eu mesma.. me faz sonhar comigo, assim! É rir de mim pela falta de jeito, é acreditar no que ninguém mais acredita, é por a mão no fogo. É sentido, é sonho, é realidade! É pra mim o que passou, o que se faz, o que virá. E nada muda, a gente cresce, e dói eu sei, eu também sinto essa dor. Eu também sinto não fazer parte, mas tem dias que vem a alegria, e é plena, é minha, uma alma que sorri, porque faz a sua parte e isso basta.

E a estrada continua lá, pros dias em que precisar fugir do mundo, fugir dessa confusão que nossas dúvidas, nossas tragédias, nossos sonhos, nossos muros levantados tijolo á tijolo por medo daquilo e daqueles que invadem sem hora marcada.

E assim eu sigo, com mais memórias pro meu baú da felicidade. Com mais beijos, abraços, sorrisos, sonhos, e com uma puta vontade de ver o que tem atrás do próximo monte. E acreditem, eu nunca tive medo da subida, o poeta estava certo quando disse que a vista lá de cima, é espetacular!

Os finais, As escolhas…

Nunca me conformei com o fim de nada. Por mais que eu sentisse que era a hora. Por mais que eu quisesse ou precisasse me livrar das coisas. O "acabou" sempre chega ou chegou como se eu jamais tivesse parado pra pensar nele. Cruel, terrível e doloroso além de mim. O último dia em qualquer coisa que tenha durado tempo suficiente pra me fazer dormir sorrindo com o dia seguinte. Um emprego, um curso, uma casa, uma viagem especial, um relacionamento. O ultimo dia do ano. Sempre tristes, sempre cheios de momentos em que eu preciso me isolar e ficar de um quase desespero catatônico. Uma vontade de sair correndo sem me mexer. Um pavor calmo e, pra quem nada entende de espasmos assustados, até sorridente. Abaixar e abrandar tudo em mim que ainda se debate pra continuar onde estava. Subindo loucos para a minha testa, todos eles. Mas quem são esses eles que sobem pra minha testa? Um mal estar em velar a vida que acabou pra poder continuar. Uma mistura caótica de enterro com nascimento, tipo se apaixonar. 
Logo em seguida, me encontro em uma busca confusa, um auto-exilamento de qualquer tipo de comentário clichê de “isso passa". Me pego me debatendo em pequenos pensamentos, entre a dúvida do seguir e do ficar, entra a real vontade e o que definitivamente deve ser feito.
Queria ser como aquelas pessoas normais, que batem nas costas, limpam a poeira deixada pelos rompimentos da vida, e amanhecem novamente amanhã com o bom e velho sorriso de esperança nos lábios. Mas eu não. Eu me desconcerto, eu me  belisco, eu me perco no meio de tantos pontos de interrogação. Eu pego minhas certezas e engesso-as, me negando a modificar o que já é batido em matéria de certezas.
Se eu tivesse que explicar, em uma só frase, a angústia causada pelas incertezas que são cruelmente rompidas pela realidade, eu recorreria mais uma vez á Martha Medeiros:
“Estamos todos de passagem. Portanto, não aborreça os outros e nem a si próprio, trade de fazer o bem e de se divertir, que já é um grande projeto pessoal. Volto a destacar: bom humor e humildade são essenciais para ficarmos em paz. Tudo é incerto, a começar pelo dia e a hora da nossa morte. Incerto é o nosso destino, pois, por mais que façamos escolhas, elas só se mostrarão acertadas ou desastrosas lá adiante, na hora do balanço final. Incertos são nossos amores, e por isso é tão importante sentir-se bem mesmo estando só. Enfim, incerta é a vida e tudo o que ela comporta. Somos aprendizes, somos novatos, mas beneficiários de uma dádiva: nascemos. Tivemos a chance de existir. De nos relacionar. De fazer tentativas. O sentido disso tudo? Fazer parte. Simplesmente fazer parte…”
Que tipo de pessoa seria eu se não compreendesse os finais? Porém, me dou ao direito de velar cada uma das minhas perdas da maneira como acredito que merecem. Me dou ao direito de ficar de luto por cada uma das mortes, sejam de projetos, de pessoas, de relações, ou de sonhos. Me dou ao direito de chorar, espernear, pra aí sim andar por aí com o sorriso no rosto de quem sabe que ali na frente tem mais uma esquina.
Tive certa vez um namorado, que me disse que eu era intensa demais. E que talvez fosse intensa demais pra qualquer pessoa. Hoje, mesmo quase 5 anos depois, eu entendo o que foi que ele disse. Entendo exatamente o que foi que ele viu. Nada tenho a ver com não gostar de mim. Me aceito impura, me gosto com pecados, e há muito me perdoei!
Desaprender para aprender. Deletar para escrever em cima. 
Houve um tempo em que eu pensava que, para isso, seria preciso nascer de novo, mas hoje sei que dá pra renascer várias vezes nesta mesma vida. Basta desaprender o receio de mudar
''O jeito é curtir nossas escolhas e abandoná-las quando for preciso, mexer e remexer na nossa trajetória, alegrar-se e sofrer, acreditar e descrer, que lá adiante tudo se justificará…”.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013


Já chegou a ser instintivo: Não sabe o que fazer com o problema? Fuja dele. E quando o meu problema é me sentir incompleta, prefiro fugir mesmo, porque não há soluções cabíveis.
Tenho andado preocupada com a faculdade, mas o alívio é saber que já já acaba. Ando cansada, ocupada com coisa banais. E como meus sentimentos são safados, eles aproveitam pra tirar uma folga. E, quando me lembro deles, eles se escondem.
Fazem somente alguns meses que aprendi a ligar o piloto automático, então, como toda amadora, eu preciso parar de vez em quando. Só pra dá uma respiradinha e arranjar um tempo pra fazer um balanço, ou seja, tempo pra fazer a grande merda de pensar demais, pra descobrir que as coisas podem ficar ainda mais vazias.
E eu encontro, do nada, o problema: Eterna insatisfação. Segredos que habitam as entrelinhas. Por mais surrado que esteja meu coração, ele ainda arranja forças pra querer atuar como protagonista. E querer tantas coisas, cada uma mais impossível que a outra, fazendo com que eu acorde no meio da noite, me sentindo a mais sozinha das criaturas.
Eu sempre precisei de uma base, de um rumo e de abraços. Nunca precisei de julgamentos. Mas agora, mais do que nunca, eu preciso de ar, de consolo, de colo, de uma mãozinha. Preciso ouvir que vai ficar tudo bem, que eu importo, que não vou ficar sozinha, aconteça o que acontecer. Preciso, mais que tudo, aprender que a velha frase estava certa: “algumas pessoas simplesmente não se importam”.
Viu? Acabei de desconsiderar os aprendizados. Aliás, eu odeio esses aprendizados! Nasci foi aprender coisas boas, mesmo nas ruins e só estou esperando a resolução de tudo.
Eu tenho mesmo uma mania besta de desacreditar, de deixar pra lá, de querer desistir. Então, antes de chegar no fim da linha, da decisão que nunca viria mesmo, eu vou parar e deixar essas coisas pra depois. Bem do jeito que as pessoas “racionais” veem me ensinando.
Ok. Eu também concordo, posso até tentar, mas dificilmente vou me desprender do que eu sou: Uma pessoa movida a sentimentos intensos, puros e que existem de verdade, pelo menos da minha parte. E é dessa verdade por partes dos outros que eu preciso agora. Mas deixa. Vou guardar minhas turbulências pra outro dia, pra outra pessoa, pra outro tanto de paciência, pra quando elas possam ser levadas em consideração
Eu não ia dizer nada. Mas sentei aqui e as coisas saíram. Ficou sem sentido porque é ele mesmo que anda faltando aqui.

domingo, 11 de novembro de 2012

Estava navegando na internet e encontrei esse belo texto, vale a pena ler!


"Eu me lembro que quando criança eu queria ser o super-homem e salvar o mundo com meus superpoderes, imagino que você também. Eu abandonei a ideia de usar a capa vermelha e aquela cueca ridícula que ele usava, mas ainda continuo tentando salvar o mundo, pelo menos o meu e o das pessoas que me cercam, aliviar a carga pesada, no mínino.
Mas de verdade, não tenho entendido algumas atitudes que vejo de alguns homens. Falo com algumas centenas de mulheres por semana, virtualmente e no consultório e não tenho ouvido boas coisas das atitudes masculinas.
Confesso, tenho sentido vergonha de ouvir o que os tais “homens” fazem.
Mentira, pouco caso, histórias mal contadas e uma total falta de confiabilidade em qualquer promessa feita. Tudo para conseguir uma boa transa.
Meu amigo, acorde, será que você precisa ser um imbecil para meter numa mulher? Acho que não, mas o que vejo é que você e um monte de caras e eu inclusive já agimos como um belo de filho-de-uma-puta só pra descarregar as bolas. Então vamos lá, menos, bem menos, não precisamos descer tão baixo.
Tem muita mulher gostosa e pronta pra dar nesse mundo e confesso que fica um pouco difícil escolher entre tanta oferta boa. Daí agimos como abutres em cima da carniça, tentamos o filé premiado, a garota mais tesuda da festa, se não conseguimos avançamos na mais ou menos e na pior das hipóteses ficamos com a feinha simpática pra não sair de mãos abanando. Com toda a esperança do mundo ela vai tentar te chupar do jeito mais gostoso do mundo para quem sabe você virar o namorado dela. Show de bola, mas você não quer seguir em frente com aquilo.
Cara, não seja covarde, lembre-se o super-homem não mentia, então não minta também, abra o jogo com delicadeza. Diz que a transa foi boa, mas que ela não é candidata a ser sua namorada. Não diga que vai ligar, não diga que ela é super-legal, não diga que não está no seu tempo. Seja honesto, apesar de parecer cruel você dá a ela a chance de fazer alguma coisa com isso. Mas fingir na cara dura que vai criar um vínculo (só pra ter um boquete delivery garantido), pra mim é coisa de moleque, daqueles bem sem valor. E outra, mulher aguenta muito mais uma verdade dura (nem sempre) do que um homem, então não meça uma mulher por você, diga a verdade. Elas choram, esperneiam, ficam resmungando, mas quando dão a volta por cima, está tudo ok (só as infantis ficam sequeladas).
Acho que você deve ter se esquecido que sua mãe e sua irmã (se tiver uma) é uma mulher. Talvez você tenha tido um pai que fazia e desfazia da sua mãe, e aposto que você odiava ver ela chorando pelos cantos porque seu pai agia como um ogro. É esse tipo de homem que você quer ser? É esse tipo de imagem que quer ver difundida pelos quatro cantos do mundo?
Eu pego no pé da mulherada dizendo que elas vivem na Disneylandia ao esperar o príncipe encantado, mas acho que você deve estar em Acapulco esperando o Chapolin Colorado. Cresça, aprenda a escolher e degustar uma coisa de cada vez, saiba ouvir o que as pessoas tem para te dizer (mulher, homem, idoso), pare de bancar o fortão e agir como se nada mais importasse. Hoje em dia arrogância virou sinônimo de ser homem por conta de atitudes imbecis como as que você tem. Eu também sou homem, e não tenho orgulho disso.
Será que quando você tinha 7 anos e se visse hoje teria orgulho do homem que se tornou? Agir em busca de prazer sem pensar nas consequências era algo que você admirava? Se seu pai fugiu de casa, se separou de sua mãe ou era um cara ausente foi porque ele só pensou no umbigo (ou no pau) dele. E pior você está sendo uma cópia fiel desse tipo de lixo que causa mágoa por muitas gerações.
Eu não sou perfeito, nem sou seu pai, muito menos um super-homem, mas já tomei muito na cabeça para chegar nessas conclusões. Quando eu faço palestra para as mulheres elas me olham com absoluta desconfiança e total descrédito no que eu digo por dois motivos, o primeiro porque eu sou homem e “homens não prestam”, o segundo é que mesmo que eu possa parecer prestar elas sabem que quando chegarem nos bares, academias, baladas e ambientes sociais encontrarão homens imbecis em busca de uma aventura sem sentido.
O Super-homem pagava muito pau para uma mulher só. Não me lembro de vê-lo flertando com a prima e melhor amiga da Lous Lane para ver se conseguia meter o “pinto de aço” dele em qualquer buraco.
Sei que a ideia de meter em mil mulheres até os 30 anos pode parecer a aventura mais legal do mundo, mas nunca se esqueça que aquela buceta tem um nome, um sobrenome, uma história e sentimentos, do mesmo jeito que você e eu.
Se você é um cara que se acha fodão e esperto eu lamento por você, pois quanto mais sabedoria de vida se reúne, mas se percebe que ninguém tem muita certeza das coisas, a não ser manter as contas pagas, sua casa arrumada, trabalho honesto, a saúde em dia e fazer o bem (coisa que acho que você não deve fazer).
Não sou um defensor cego das mulheres, elas não precisam, mas falo como homem. Será que estamos fazendo o básico do que um ser humano deve fazer com as mulheres?
Você tem o direito de aproveitar o quanto quiser sua vida de solteiro, mas não precisa perder a ética e o senso de valor humano.
Se se ofendeu com que eu disse deve ter um motivo, pense nisso.
Se ficou tentado a me achar um panaca, pense três vezes mais. Afinal, ficar bravinho, acusar alguém e achar que não é com você é típico de menino mimado.
Por último se quer ser chamado de homem faça alguma diferença nesse mundo, afinal eu sei que aquele menino de 7 anos que queria fazer o que era certo ainda existe dentro de você. Então, vem falar comigo e podemos conversar."
Abraço afetuoso
Frederico Mattos
___________________

quarta-feira, 7 de novembro de 2012


Ontem depois que você foi embora confesso que fiquei triste como sempre.
Mas, pela primeira vez, triste por você. Fico me perguntando que outra mulher ouviria os maiores absurdos como você, um homem de 32 anos, planejar ir a uma matinê brega com gente sem assunto no próximo domingo e, ainda assim, não deixar de olhar pra você e ver um homem maravilhoso.
Que outra mulher te veria além da sua casca? Você não entende que eu baixei a música do “Midnight Cowboy” e umas boas do Talking Heads, Vinícius de Morais e do Smiths porque achei divertido te fazer uma massa ouvindo algumas músicas que dão vontade de viver. Uma massa que você não vai comer porque está perdendo o paladar para o que a vida tem de verdadeiro e bom. É tanta comida estragada, plastificada e sem sal, que você está perdendo o paladar para mulheres como eu. E você não sabe como vale a pena gostar de alguém e acordar na casa dessa pessoa e tomar suco de manga lendo notícias malucas no jornal como o cara que acha que é vampiro. Tudo sem vírgula mesmo e, nem por isso, desequilibrado ou antes da hora.
Você não sabe como isso é infinitamente melhor do que acordar com essa ressaca de coisas erradas e vazias. Ou sozinho e desesperado pra que algum amigo reafirme que o seu dia valerá a pena. Ou com alguma garotinha boba que vai namorar sua casca. A casca que você também odeia e usa justamente para testar as pessoas “quem gostar de mim não serve pra mim”.
E eu tenho vontade de segurar seu rosto e ordenar que você seja esperto e jamais me perca e seja feliz. E entenda que temos tudo o que duas pessoas precisam para ser feliz. A gente dá muitas risadas juntos. A gente admira o outro desde o dedinho do pé até onde cada um chegou sozinho. A gente acha que o mundo está maluco e sonha com a praia do Espelho e com sonos jamais despertados antes do meio-dia. A gente tem certeza de que nenhum perfume do mundo é melhor do que a nuca do outro no final do dia. A gente se reconheceu de longa data quando se viu pela primeira vez na vida.
E você me olha com essa carinha banal de “me espera só mais um pouquinho”. Querendo me congelar enquanto você confere pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. E sempre volta. Volta porque pode até ter uma coxa mais dura. Pode até ter uma conta bancária mais recheada. Pode até ter alguma descolada que te deixe instigado. Mas não tem nenhuma melhor do que eu. Não tem.
Porque, quando você está com medo da vida, é na minha mania de rir de tudo que você encontra forças. E, quando você está rindo de tudo, é na minha neurose que encontra um pouco de chão. E, quando precisa se sentir especial e amado, é pra mim que você liga. E, quando está longe de casa gosta de ouvir minha voz pra se sentir perto de você. E, quando pensa em alguém em algum momento de solidão, seja para chorar ou para ter algum pensamento mais safado, é em mim que você pensa. Eu sei de tudo. E eu passei os últimos anos escrevendo sobre como você era especial e como eu te amava e isso e aquilo. Mas chega disso.
Caiu finalmente a minha ficha do quanto você é, tão e somente, um cara burro. E do quanto você jamais vai encontrar uma mulher que nem eu nesses lugares deprê em que procura. E do quanto a sua felicidade sem mim deve ser pouca pra você viver reafirmando o quanto é feliz sem mim e principalmente viver reafirmando isso pra mim. Sabe o quê? Eu vou para a cama todo dia com 5 livros e uma saudade imensa de você. Ao invés de estar por aí caçando qualquer mala na rua pra te esquecer ou para me esquecer. Porque eu me banco sozinha e eu me banco com um coração. E não me sinto fraca ou boba ou perdendo meu tempo por causa disso. E eu malho todo dia igual a essas suas amiguinhas de quem você tanto gosta, mas tenho algo que certamente você não encontra nelas: assunto. Bastante assunto.
Eu não faço desfile de moda todos os segundos do meu dia porque me acho bonita sem precisar de chapinha, salto alto e peito de pomba. Eu tenho pena das mulheres que correm o tempo todo atrás de se tornarem a melhor fruta de uma feira. Pra depois serem apalpadas e terem seus bagaços cuspidos.
Também sou convidada para essas festinhas com gente “wanna be” que você adora. Mas eu já sou alguém e não preciso mais querer ser. E eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim. Coitado.

por Tati Bernardi

terça-feira, 6 de novembro de 2012






"Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos ,um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoraçao ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia."

Martha Medeiros!!