"O Cérebro é o meu segundo órgão favorito."
Woody Allen

Eu achava que a vida fosse uma comédia romântica, mas não é. A vida foi, simplesmente, tropeçar em babacas, escolher a profissão equivocada e beber além da conta. No mais… Bom, não tem “no mais”. Mas neeeeeeem de longe.
Eu só fui conhecer Woody Allen quando o circo já estava armado e eu era a palhaça. Se ele tivesse feito e eu tivesse visto Whatever Works lá com 5 anos de idade, eu teria uma outra perspectiva do amor, da falta de sentido da vida, dos encontros e desencontros e eu certamente não teria me apaixonado por tanto idiota por aí. (ia escrever tomar na bunda, mas achei grosseiro).
Com 1 ano e meio me apaixonei pelo meu tio (bom, pelo menos é o que ele conta até hoje), aos 5 eu me apaixonei pelo He Man. Depois, pelo Ken, o namorado da Barbie. Aos 7, pelo professor de educação física, aos 10 pelo menino mais velho que eu no colégio (que nem sabia que eu existia, evidentemente). E por aí, vai, seguindo no mesmo naipe. Vocês já viram, eu tinha o dedo podre. Como é que alguém se apaixona pelo He Man? Hoje eu acho ele uma tremenda bixona.
Mas ok. Eu vou confessar que eu tenho uma pontinha de inveja daquelas pessoas que desde cedo conseguem enxergar a vida como ela é. Descomplicada, simples, fácil. Sem grandes dramas. Tudo isso porque se eu fosse uma dessas pessoas, eu teria resolvido logo tudo cedo e evitado esquentações de cabeça.
Exemplo? Então…
Tem uma menina que estudava no mesmo colégio que eu quando era criança, a Gisele. Lá, eu acho que na quinta série, por volta dos 11 anos, ela conheceu um menino, o Diego. Ele era engraçado e ela logo prestou atenção nele. Com 12 anos eles começaram a namorar. Com 18, noivaram. E com 20, CASAMENTO! Teve uma festona, eles têm um apartamento, emprego. O Diego? Ele é gente boa toda vida, um pai super responsável. Ah, siiiim, claaaro, eles têm um filhote lindo de morrer. Simpático, esperto, levado. Mas voltando ao assunto, entenderam onde eu quero chegar? Com 12 anos, a danada foi lá e fez tudo que eu acho que só consegui aos 20. Com 12 anos. Enxergou a simplicidade da vida.
Quando ela casou, eu achei uma loucura: “Maaas como assim, essa menina vai casar aos 20 anos sem neeem ter vivido no mundo de Meu Deus? Nããão, eu jamais casaria tão nova, tão sem experiência, sem ter conhecido outras pessoas, sem saber o que eu realmente procuro e espero da vida, dos relacionamentos, das pessoas…”
Honestamente? Cá pra nós, eu sinto um ódio mortal da minha arrogância as 20 anos. Tão burro isso. Aí eu, sabichona, fui viver: “Uau, vou viver, vento embaraçando os cabelos, coração saltitante. Uma pirueta, duas piruetas. Bravo, bravo!” Nossa, uau, como foi divertido dar um pé na bunda atrás do outro naqueles babacas, conhecer esses caras que hoje me fazem ter ânsia de vômito, conseguir porres homéricos e ressaca moral no dia seguinte. E caganeiras. A verdade precisa ser dita: Eu bebo cerveja frequentemente e cerveja dá dor de barriga. Das brabas. Legal. Super bacana.
Sendo assim,eu comecei a redefinir o conceito do que seria viver.
No fundo, a vida é simples. Bem simples. Aí a gente cai numas fantasias megalomaníacas e se embanana toda. Tudo porque temos mania de romantizar tudo. Pelamordedeus. No fundo, mesmo lendo tanto, pensando tanto e filosofando tanto, a gente gosta mesmo é de quem é simples e feliz. A gente não se apaixona por quem vive reclamando e amassando jornais contra a parede. A gente se apaixona por quem vive rindo.
Vou dar uma dica preciosa, algo que li por aí em algum canto. Prestem atenção: Felicidade é a mistura de sorte com escolhas bem feitas. Divino.
Ok, isso parece óbvio. Mas não é. Percebam: Eu sempre descartei qualquer hipótese que fizesse meu futuro se assemelhar com qualquer coisa que fosse menor que perfeito. Eu queria o super emprego, uma paixão dessas de comédia romântica, dessas que a gente apenas vê em filme, mas nunca na realidade. Meu Deus, me convenci. Isso não existe.
Não há perfeição na vida real. E isso minhas amigas, vocês irão ver, é bem legal, acredite.
Nenhum comentário:
Postar um comentário