
Alguém já descobriu dificuldade maior do que se conhecer? Acho que todo mundo se pega diáriamente fazendo coisas que não agradam a si próprios, pra ver as outras pessoas contentes.
E aí quando surge a velha pergunta..e você.. do que é que você gosta? E você, o que é que te faz feliz? A gente se percebe descrevendo coisas que acaba acostumando a fazer na busca da felicidade do outro.
Da mesma forma quando o tema é falar sobre as nossas caracteristicas. Achar um defeito, qualidades, é sim uma tarefa difícil. Geralmente as qualidades e defeitos que vem a nossa mente são aquelas que escutamos dos outros a respeito de nós também.
Mas afinal de contas, e quem é que gosta de colocar a lanterninha naqueles cantinhos escuros que existem na gente? Iluminar aquele probleminha, aquele defeitinho, aquela velha mágoa, que a gente guardou num cantinho e nem lembrava que estava lá?. Pode não lembrar mas tudo isso fica impregnado em várias das nossas atitudes, nas nossas palavras, no nosso dia a dia.
Pegar todos os nós que estão guardados nesses cantinhos, iluminá-los e começar a desatar não é tarefa fácil. Exige sim muita maturidade, pois ao se puxar o fio, muita coisa que há muito tempo não era mechida reaparece.
Difícil porém essencial.
O não mecher nesses pontos escuros faz com que sejamos pessoas pautadas pelos extremos. E agindo dessa forma, nada termina bem. As colocações saem atropeladas pelas mágoas quando chega em um ponto máximo em que já não consegue se lidar com elas, os estouros acabam atingindo as pessoas erradas, ou a gente continua guardando, mascarando uma aceitação que pode nos fazer parecer pessoas legais, mas nao faz feliz a nós mesmos.
E qual o meio termo então? é analisar cada cantinho escuro desses, e ver o que guardamos lá. Dar uma mechida, reorganizar aos poucos. Feito guarda roupa em época de troca de estação, jogando fora aquilo que já não serve. E não! Nada de achar que você pode usar no ano seguinte.
A pior coisa que alguém pode fazer consigo mesmo, é deixar acumular essas sensações, esses descontentamentos, essas mágoas, pois não haverá controle algum quando elas quizerem sair.
Olhar pra si é difícil. Reconhecer o nó é difícil, mas é essencial para que se possa desatar, ou ao menos tentar.
Que tal olhar pra si, com o mesmo carinho, com o mesmo cuidado que devotamos ao outro? Que tal ter medo de magoar a si, tanto quanto temos medo de magoar ao outro? Que tal ser fiel aos nosso princípios e vontades e aprender a dizer não sem culpa?
Que tal se colocar em primeiro lugar de vez em quando???? Afinal, cade você?
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